Imagina.
Se estresse fosse bom,
o útero seria guerra.
A gente chegaria de punho fechado,
pronto pra brigar com o mundo.

Mas não.
Nove meses.
Água morna.
Escuro seguro.
Coração batendo no ritmo da mãe.
O paraíso não tem pressa.

Aí a vida puxa a cortina.
Luz. Ar. Barulho. Pele.
O mundo invade.
E a gente explode em choro.

Não é choro de tristeza.
É choro de impacto.
É o corpo gritando: nasci!
É o primeiro estresse.
O primeiro aviso: aqui fora arde.

E sabe o que vem depois do grito?
Colo.
Quente.
Cheiro de mãe.
Mão que embala.
Peito que acalma.
E o bebê entende: susto passou. Agora descansa.

Só que a gente cresce.
Esquece do colo.
Acha que adulto não chora.
Acha que adulto não cansa.
E troca o aconchego pela cobrança.

O estresse vira chefe.
Vira insônia.
Vira nó na garganta às três da manhã.
Vira choro escondido no banheiro.
Choro que não salva. Choro que prende.

Mas escuta:
o bebê dentro de você não morreu.
Ele só tá esperando o colo que a vida adulta inventou.

O sono profundo é colo.
A música que arrepia a alma é colo.
A caminhada com vento no rosto é colo.
A respiração lenta, três segundos, é colo.
O riso bobo com amigo é colo.

Se a gente nasceu chorando depois do estresse,
é porque estresse não é destino. É ponte.
É a porta que range pra você atravessar
e chegar no lugar que a vida preparou.

Então para.
Chora se o peito pedir.
Mas não mora no choro.
Porque depois de todo nascimento,
depois de toda luta,
depois de todo susto...
a vida sempre deixa um colo te esperando.

E colo é onde a gente volta a sorrir,
mas também é onde a gente descansa.

rubiaprado127a@gmail.com
Fones: TIM: (81) 995963833, Vivo: (81) 987416715